segunda-feira, 29 de março de 2010

Deixar-me-ei levar.


Não deixarei
Sair o medo
De naufragar
Em águas negras
De abismos profundos.

Um dia,
Libertar-me-ei
Das correntes
Da memória.

Na procura
De um sol
Morno
Acariciante.
Então aí, sim.
Deixar-me-ei levar.
Bravo

sexta-feira, 26 de março de 2010

O livro


Deus
Escreveu o livro
Deixando
As paginas em branco
O homem
Leu o livro
E mudou o mundo.
Bravo

domingo, 21 de março de 2010

Alentejo



Rasgam-se sulcos
Em terra dobrada à mão
Por homens gerados
Por sóis abrasadores
E frios intensos.
Metamorfoses
De terra e sangue
De sal e de água.
Alquimia
De um Deus maior
Castigador.
Horizontes de um povo
Sofredor
Mas belo.



José Bravo Rosa

segunda-feira, 8 de março de 2010

Coitado


Coitado daquele
Que não se ergue
E se mistura
Num abismo de submissão.

Coitado daquele
Que fala
E não se faz entender
Num turbilhão de palavras.

Coitado
Do pobre homem
Que se consume
Na sua própria mordaça
E morre
Só.

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Viajar na inconsciência


É preciso tempo
Para ter consciência
Da vida passada.

Subjugar os dias
Aos elos temporais.

Visionar
A penumbra da era
Em fracções divididas
Em espaços infinitos.

Viajar na inconsciência
Num rumo perfeito
No abstracto da mente.


Bravo






sábado, 27 de fevereiro de 2010


Inquietude


A criança
Atravessou
A linha do horizonte
Sem quebrar
A harmonia
Da linha recta.
À distância
Transformou-se
Simplesmente
Num ponto.
Acenou
Pediu socorro
Gritou
Mas o som
Perdeu-se no silêncio.

Olho


Olho
Para o infinito
Das minhas
Memórias
Revejo
Espaços em branco
Como
Saltos no tempo
Que me escondem
Segredos.
Lacunas
De palavras soltas
Códigos
De sentimentos
De vida
De morte
E de nada.