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Quero sentir
A eterna dor de amar.
Amar aqui e além,
Não importa quem,
Só pelo prazer de amar.
Quero ser escravo do amor
De onde não me quero libertar.
Quero amar
O sol, a lua,
A terra, o mar.
Quero amar
Só por amar.
Quero amar
Esse teu sorriso
Feito de primaveras.
Deixar-me levar por quimeras
Embriagadas de paixão
Num paraíso feito sonhos.
Mas, sobretudo, quero amar.
Quero amar
A solidão
Para onde convergem as palavras
De que é feito poema.
Quero amar
A melancolia
De que são feitos os meus dias.
Amar
Também a tristeza
O sorriso de Mona Lisa.
A silhueta que passa
Que não se quer reconhecida.
Quero amar,
A quem me ama,
A quem me trai,
A quem me engana.
Quero amar a esperança
De um dia o homem mudar.
Quero um dia amar a morte
Quando não poder mais amar.
Mas quero deixar o amor
No coração de quem sofre
Ser uma estrela que brilha
Naquelas noites mais escuras.
Quero ser o amor.
Bravo
Sinto pena
Das pessoas
Que passam apressadas
Caminhando alucinadas,
Para o vazio de si próprias.
Para a ilusão da matéria.
Bravo
Desejo
Respirar o sol
De que és feita.
Perder-me
Nesse teu corpo
Em labaredas de prazer.
Desejo
Esse odor a maresia
Dessa pele feita de agua.
Que me envolve
E refresca
Do fogo
Que arde em mim.
Desejo
O clímax da noite.
A volúpia
Da paixão.
Onde o êxtase
Do momento
Termina…
No silêncio do amor.
Desejo…
Bravo
Existe um código
Em que as palavras
Se transformam em símbolos.
Um código de amor.
Que deturpa
Toda a veracidade
Das emoções
E que as transforma
Em armadilhas dos sentimentos.
Em que o abismo
Se encontra à nossa frente.
E nós saltamos!
Saltamos para o vazio.
Para o desconhecido
De nós mesmos.
E sentimo-nos bem!
Seguros na nossa ilusão
De bem estar.
É esse silêncio enganador,
Esse momento hipnótico,
Que nos limita.
Que nos amordaça o grito
De libertação da alma.
Fazendo com que as palavras
Não façam sentido.
E nos levem ao limiar
De um irrealismo
Subjacente a toda uma panóplia
De momentos abstractos
Projectados pela mente.
Que nos transformam, simplesmente,
Nos humanos que somos.
Dependentes do amor.
Bravo
Tenho a certeza
De que seria mais feliz
Se deixasse de ser eu.
Se não carregasse
Todo este peso do mundo.
Se não olhasse
Mais além
Do que a vista alcança.
Se não conseguisse
Ler nas entrelinhas
Do óbvio.
Se conseguisse dizer, simplesmente,
O céu é azul,
O mar é imenso,
A terra é gigante.
Se me limita-se
À passagem do tempo.
À reprodução da espécie.
Ao narcisismo da sociedade.
À obediência do grupo.
Talvez vivendo
Nesta eterna cegueira
Fosse eu
Um outro mais feliz.
Espero
Que as minhas palavras
Transformem as madrugadas
Em autenticas alvoradas
No coração de quem ama.
Sinto que estou presente
De quem vive na poesia.
Também sinto a melancolia
Do que é estar ausente
Mesmo sem rumo aparente
Na procura de um novo dia.
Trespassei
O coração da rosa
Com o seu próprio espinho.
Um liquido carmim
Jorrou
Das pétalas brancas
De seda pura.
Uma lágrima
De orvalho
Silenciou a dor
E caiu no vazio
De tamanha beleza
Feita de espinhos.