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Liberto-te…
Dessa prisão interior
Do abismo em que tu cais
Em rodopios de paixão.
Nessa alma em clamor
Desse amor em desalento.
O choro!... leva-o o vento.
Leva também esses ais!...
E o lápis desenha as feridas
Onde elas doem mais.
Espero-te…
Na penumbra deste meu sol.
Na seda azul deste lençol
Que cobre, de tamanho, o mundo
E dos amantes a dor da ausência.
Onde as palavras só fazem sentido
No silêncio da madrugada.
Onde se espera tudo ou nada!...
Atrevo-me…
A procurar o abraço forte da paixão.
Nessa essência que me excita…
Nessa voz muda que grita
Nessa respiração que é minha.
Procuro nesse jardim
A paz das palavras não ditas.
Embriago-me na solidão
Com este vinho agridoce.
No cais da vida…
Olho o horizonte longínquo…
Olho nos meus pensamentos
A ilusão do momento
Que se transforma em tormento
Destas feridas que teimam em não se fechar.
Peço só, simplesmente…
A liberdade para voar.
Ser sublime…
É aquele!...
Que vive na felicidade
Do sentir sem tocar.
É viver na poesia
É ser poeta
É amar…
Insisto. Não desisto
As palavras gritam. Libertam-se
O que se passa!? Tudo!? Ou nada!?
Reconheço-me
Na busca do encontro.
Somos também reencontro.
No meio de nós existe a ponte
Do prazer, do conhecimento.
Um oceano de ecos
Dos nossos sussurros
Dos nossos lamentos.
Na beira do cais
Choro sozinho.
Procuro nos sinais, nos acenos,
Nos demónios, nos anjos e demais…
Que me levem deste cais.
A distância se torna dor…
Dor de vazio
Sufoco da alma
De querer e não puder
Cheirar o perfume… de nada!
Existo. Não desisto…
Atrevo-me!
Caminho entre flores
No lirismo da poesia.
Sou alma irrequieta
No abstracto dos sonhos.
Sou, simplesmente, poesia…
Tenho
Um bloco de notas,
Na mesa-de-cabeceira,
Onde registo os meus sonhos.
De manhã,
Quando acordo,
Olho para ele
E lembro-me de ti.
É tão bom
Limpar a mente
De nadas.
Ficar só
Nesse vazio
Interior.
Viajar
Na inconsciência
Na procura
Do amor.
Porque não se consegue
Viver somente
Na felicidade
Das palavras.
As palavras são eternas.
Dão-nos a imortalidade.
Quem ama nas palavras
Vive no amor.
O futuro cabe ao destino
Mas os momentos são nossos.
Por vezes...
Leio
O que o meu coração escreve!
O céu chora
Pela tua ausência.
Lágrimas doces
Mas…
Salgadas minhas.
Sal…
Sal
Do meu ser.
Vida que definha
No abstracto da vida
Na relatividade do tempo
E no pó…
Pó em que te
Transformas
Juntar-me-ei
A ti.